Assim como os manequins de passarela, os de vitrines são, para mim, o reflexo da estética do mundo da moda, pois possuem, em sua maioria, uma forma padrão dentro de uma estética de produção em massa, que, na vida real, não reflete as características da maioria da população. Esta série fotográfica serve apenas para refletirmos sobre a padronização e a produção em série daquilo que não somos.
As cidades crescem, ocupando o território que antes pertencia à natureza. Essas obras fotográficas são nada mais que uma breve reflexão sobre a expansão imobiliária e o isolamento de algumas árvores no meio urbano, simbolizando quase que uma resistência silenciosa, que na maioria das vezes é vencida pela cidade.
As cidades crescem e a violência também; somos o resultado de uma sociedade que vive com medo, onde os muros aumentam, com cercas de todos os modelos, câmeras de segurança por toda parte, grades e portões. Assim, vivemos cercados dentro de nossas casas, esperando ter um pouco de segurança. Para representar esse sentimento, fiz uma série fotográfica onde a cerca do modelo concertina, presente na maioria das residências, simboliza o medo da violência urbana e, por ironia, parece aprisionar o cidadão em sua casa, enquanto a bandidagem permanece livre do lado de fora.



